quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Leitura na Escola


Dia desses estava pensando a respeito de um trabalho de leitura que faço com meus alunos, o qual consiste na leitura de um livro por trimestre e que vale uma boa parcela da nota total. O que me surpreende é que muitos alunos preferem ficar sem a nota a fazerem o trabalho ou ainda tentam me ludibriar, inventando respostas ou copiando resumos da internet. Diante disso, uma realidade indisfarçável não pode deixar de vir à tona: o brasileiro lê muito pouco, não tem o hábito da leitura e não gosta de ler.

Então há que se fazer a pergunta que não quer calar: o que é preciso para incentivar o hábito da leitura, para fazer com que o brasileiro leia mais, que se interesse mais pela literatura? A dura realidade é que o jovem brasileiro não se interessa pela leitura. Há muitas outras coisas mais interessantes para ele. Faz-se necessário, que o gosto pela leitura seja estimulado pela escola, pelos pais ou responsáveis por sua educação.

Existem vários culpados da falta desse hábito nos jovens da atualidade, mas o maior deles ainda é a educação que é deficiente e não está fazendo o papel que deveria. 

A educação brasileira está num processo de deterioração. O sistema de ensino sofreu mudanças, nos últimos anos, que ao invés de melhorar o aprendizado do primeiro e segundo graus, tornaram complexos os métodos já existentes e que ainda funcionavam. Antes, era possibilitado ao aluno que fosse alfabetizado na primeira série e se isso não ocorresse, não avançaria para a série seguinte. Hoje, com modificações equivocadas, existem crianças no terceiro ano que não conseguem dominar a leitura e a escrita. 

Verifica-se que a educação, neste país, está caminhando para a falência e não está se fazendo muita coisa para mudar isso, pelo contrário, cada vez mais os governantes inventam “novidades” que só vêm para atrapalhar a aprendizagem. O que interessa mesmo às classes governamentais são os números e não a qualidade do ensino. Se a escola não mudar, se a educação não possuir mais qualidade, essa lacuna que é a falta de tempo, o impedimento de inserir aulas de leitura e interpretação para infundir no aluno em formação o gosto pela leitura, continuará. 

E nossos alunos crescerão sem o estímulo para a literatura, crescerão repetindo que “tem horror a ler” e entrarão na vida adulta e enfrentarão o mercado de trabalho sem qualificação para os “bons empregos”. E, com isso, não terão um bom salário. 

É uma bola de neve: se os pequenos leitores em potencial não aprenderem a gostar de ler, não gostarão de estudar, porque estudar significa ler e, consequentemente, terão que trabalhar mais e ganharão menos, tendo menos tempo e dinheiro para boas leituras. E os filhos deles terão o mesmo destino porque em casa que não têm livros, crianças não são estimuladas a leituras, pois não se gosta de uma coisa que não se conhece. 

Na verdade, precisamos de mais atenção e dedicação do poder público pela educação. Senão tivermos uma educação conveniente, nossos alunos não serão adultos com gosto pela leitura e a praga, aquela que diz que “brasileiro não lê”, continuará a andar em volta de nosso país. Sendo assim, a maneira para fazer com que os brasileiros leiam mais é, acima de tudo, uma educação de qualidade. Necessitamos cobrar isso dos governantes. Ainda existem professores
dedicados e abnegados, mesmo com toda a desqualificação que sofrem, em nossas escolas públicas e que são exemplos ao mostrar sua prática e tentar incentivar seus alunos a ler.

                                                                                           Dorisa Luz

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